O período da ondulação, explicado
Duas previsões podem mostrar a mesma ondulação de 1,5 m e dar dias completamente diferentes. A diferença está quase sempre no período: os segundos entre uma onda e a seguinte. O período diz-te até onde chega a energia em profundidade, a que velocidade viaja e como a onda vai rebentar quando chegar ao teu pico.
O que mede o período
Põe-te num paredão e conta os segundos entre duas cristas que passam pelo mesmo poste. Isso é o período. As previsões costumam dar o período de pico, o da ondulação que leva mais energia; algumas dão um período médio, que sai mais baixo quando há mar de vento à mistura. Compara valores da mesma fonte, não entre sites diferentes.
O período decide-se quando a ondulação nasce. Quanto mais forte for o vento, mais tempo soprar e maior for a extensão de mar sobre a qual sopra (o fetch), mais longo é o período. Uma grande tempestade de inverno no meio do oceano gera ondulação de 15–20 segundos; um dia de vento local gera mar picado de 5–7 segundos.
Ondulação de fundo e mar de vento
- Mar de vento (menos de uns 8 s): gerado perto da costa. Ondas muito seguidas, fracas e muitas vezes desorganizadas, com pouca forma.
- Ondulação média (uns 9–11 s): uma mistura. Surfável e muitas vezes divertida nos beach breaks, mas sem muita força.
- Ondulação de fundo (uns 12 s ou mais): gerada por tempestades distantes. Linhas limpas, séries organizadas, força a sério.
- Ondulação de fundo de período longo (16 s ou mais): pesada, com séries grandes, pausas longas e correntes fortes.
Porque é que o período longo chega maior
O movimento de uma onda chega debaixo de água até cerca de metade do seu comprimento de onda, e em águas profundas o comprimento de onda cresce com o quadrado do período. Por isso uma ondulação de período longo chega muito mais fundo do que uma curta com a mesma altura à superfície:
| Período | Comprimento de onda | Sente o fundo a | A energia avança por dia |
|---|---|---|---|
| 6 s | 56 m | ≈ 28 m de profundidade | ≈ 400 km |
| 8 s | 100 m | ≈ 50 m de profundidade | ≈ 540 km |
| 10 s | 156 m | ≈ 78 m de profundidade | ≈ 670 km |
| 12 s | 225 m | ≈ 112 m de profundidade | ≈ 810 km |
| 14 s | 306 m | ≈ 153 m de profundidade | ≈ 940 km |
| 16 s | 400 m | ≈ 200 m de profundidade | ≈ 1080 km |
Valores em águas profundas: comprimento de onda ≈ 1,56 × período², velocidade de grupo ≈ 0,78 × período (m/s).
Como uma ondulação de período longo sente o fundo tão cedo, ao chegar à costa acontecem três coisas. Refrata (curva) mais, contorna os cabos e concentra-se em recifes e bancos de areia. Cresce mais à medida que a água fica pouco profunda, por isso pode rebentar bem acima do valor de mar aberto. E leva mais energia por metro de altura, por isso a onda bate com mais força. Uma ondulação de período curto faz o contrário: muitas vezes rebenta mais pequena do que o previsto e perde a forma depressa.
Séries, pausas e horas de chegada
Um período mais longo também significa intervalos mais longos. Numa ondulação de 16 segundos as séries podem chegar com vários minutos de diferença, com o outside quase flat entre elas. Quem não está à espera entra na água numa pausa, apanha a série seguinte em cima da cabeça ou larga a posição mesmo antes de ela chegar. A paciência e o posicionamento passam a fazer parte da sessão.
Em águas profundas, as ondas mais longas viajam mais depressa. É por isso que o primeiro sinal de uma ondulação nova são os "precursores" de período longo: umas poucas séries lentas e muito espaçadas. Nas horas ou dias seguintes o período baixa e a ondulação enche. Se a previsão mostra o período a subir de repente durante a noite, está a entrar uma ondulação nova.
Nota para treinadores: com uma ondulação de período longo, uma bateria de 20 minutos pode ter só cinco ou seis séries. A seleção de ondas e a prioridade contam muito mais do que num mar de período curto e cheio de ondas, onde vem sempre outra. Treina os dois tipos de dia.
Ler o período junto com o resto
O período não é bom nem mau por si só. Lê-o com a altura, a direção e o vento: uma ondulação de 13 segundos com vento do mar continua a dar ondas picadas, e uma de 9 segundos com terral fraco pode ser muito divertida num banco de areia. O guia da previsão de surf mostra como os combinar, e no Prosurfingtools o painel de condições de cada treino mostra o período da onda e o da ondulação lado a lado.
Perguntas frequentes
Qual é um bom período de ondulação para surfar?
Na maioria dos beach breaks, a partir de uns 10 segundos as ondas chegam organizadas e surfáveis, e entre 12 e 16 segundos está o intervalo clássico da ondulação de fundo. Abaixo de 8 segundos as ondas costumam ser fracas e desorganizadas. Os períodos muito longos (18 segundos ou mais) trazem ondas potentes, longas pausas entre séries e correntes fortes.
Um período mais alto é sempre melhor?
Nem sempre. A ondulação de período longo tem mais força, o que é ótimo para recifes e pontas, mas pode fazer fechar alguns beach breaks. Também traz esperas mais longas entre séries e correntes mais fortes. Para principiantes e treinos de juniores, um período moderado costuma ser mais seguro e dá mais ondas.
Qual é a diferença entre ondulação de fundo e mar de vento?
A ondulação de fundo (groundswell) é gerada por uma tempestade forte e distante e chega em séries limpas de período longo, normalmente 12 segundos ou mais. O mar de vento (windswell) é gerado pelo vento perto da costa e tem período curto, normalmente abaixo de 8–9 segundos: ondas com menos força, mais seguidas e menos organizadas.
Porque é que o período baixa durante uma ondulação?
Em águas profundas, as ondas mais longas viajam mais depressa do que as curtas. As ondas de período mais longo de uma tempestade chegam primeiro, e depois o período vai baixando ao longo de horas ou dias, à medida que chegam as ondas mais curtas e lentas.
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